Abordagem Sistêmica
O que é e suas implicações para a prática
A psicologia é um campo amplo, que reúne diversas teorias e formas de atuação. Essa pluralidade se expressa tanto nos diferentes contextos em que o psicólogo pode trabalhar quanto nas várias abordagens teóricas disponíveis. Cada profissional escolhe uma dessas abordagens para orientar seu olhar e sua prática.
A abordagem teórica funciona como uma lente: é por meio dela que o psicólogo compreende processos, experiências, relações, dificuldades e possibilidades de cada pessoa que acompanha.
A abordagem sistêmica, uma dessas lentes, surgiu na década de 1950, nos Estados Unidos, com a proposta de ampliar o olhar sobre o sofrimento humano. A ideia central era compreender que não é possível entender uma pessoa isolada de seus vínculos e contextos. Assim, passou-se a considerar a importância de olhar para a família — o primeiro e mais significativo contexto de constituição subjetiva.
Com influências de diferentes áreas do conhecimento, o pensamento sistêmico se consolidou inicialmente na Terapia de Família e de Casais. Com o tempo, expandiu-se também para a Psicoterapia Individual Sistêmica, mantendo a mesma sensibilidade ao contexto, às relações e à complexidade.
Algumas características importantes da abordagem sistêmica:
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Complexidade: entende que as questões humanas não podem ser fragmentadas. É necessário situá-las dentro de um contexto mais amplo — familiar, social, cultural, econômico e político.
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Mudança: considera que fenômenos e relações são dinâmicos. Nada é totalmente fixo; sempre há possibilidade de transformação.
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Intersubjetividade: reconhece que não existe uma única realidade objetiva. Cada pessoa interpreta o mundo a partir de suas vivências e da posição que ocupa nas relações.
Algumas implicações da abordagem sistêmica para a prática clínica:
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A psicoterapia é vista como um processo dialógico, construído conjuntamente entre paciente e terapeuta.
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O paciente é reconhecido como especialista de sua própria experiência; o terapeuta cria um espaço seguro para que essa experiência seja explorada e ressignificada.
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A clínica é horizontalizada, valorizando encontro, colaboração e corresponsabilidade.
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O terapeuta atua de forma ativa e participativa, buscando favorecer autonomia, recursos internos e novas possibilidades de movimento para indivíduos, casais e famílias.
A abordagem sistêmica é também uma perspectiva científica, construída a partir de referenciais teóricos sólidos e de pesquisas desenvolvidas ao longo de décadas.
Trata-se de uma abordagem que produz conhecimento, revisita seus conceitos e evolui conforme novos estudos surgem, mantendo um compromisso contínuo com investigação, validação teórica e aprimoramento clínico. Por isso, sua prática não é intuitiva ou improvisada: é fundamentada em teorias, métodos e pressupostos que oferecem rigor, clareza e coerência ao trabalho psicoterapêutico.